A fonte do "kitsch" é o acordo categórico com o ser.
Mas qual é o fundamento do ser? Deus? A humanidade? A luta? O homem? A mulher?
Como para esta pergunta, há as mais variadas respostas, assim também há as mais variadas espécies de "kitsch": o "kitsch" católico, o protestante, o judaico, o comunista, o fascista, o democrático, o feminista, o europeu, o americano, o nacional, o internacional, etc., etc.
(...)
Numa sociedade onde coexistem várias correntes políticas cuja influência se anula ou se limita reciprocamente, sempre se vai conseguindo escapar à inquisição do "kitsch"; o indivíduo ainda pode salvaguardar a sua individualidade e o artista criar obras inesperadas. Mas, nos países onde um único partido detém todo o poder, não há escapatória possível ao império do "kitsh totalitário".
KUNDERA, Milan - A Insustentável Leveza do Ser
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